Além do que os olhos veem

 
É verdade, ‘uma imagem vale mais que mil palavras’, mas imagens há que nem mil palavras permitem revelar as inúmeras camadas de significados que se escondem em belezas indescritíveis. É o caso das poderosas imagens deste Nturudu – Um Carnaval Sem Máscara. Cada pormenor retratado bebe de séculos e séculos de existência humana, de rituais, de modos de vida e de crenças das muitas etnias que escrevem a riqueza histórica da Guiné-Bissau.
Neste momento o leitor deve estar prestes a saltar para as fotografias, se é que não o fez ainda. Não o criticamos; no seu lugar faríamos o mesmo, mas sossega-nos a certeza de que irá voltar. Dada a riqueza das imagens, vai querer perceber o que está para lá do que os olhos veem. Além dos guineenses, poucas pessoas no mundo tiveram a sorte de assistir a esta manifestação cultural que reflete muito do que é o país e da sua capacidade de se reinventar de forma colorida, genuína e o mais alegre possível. Mesmo quem já assistiu ao Nturudu voltará a estas palavras, porque muito do que os olhos veem são realidades sobreviventes ao tempo, às quais importa devolver o conteúdo original (…)”
Roger Mor, in Prólogo, Nturudu – Um Carnaval Sem Máscara

Exposição Nturudu – Um Carnaval Sem Máscara

O objetivo da exposição foi potenciar a inclusão da comunidade do Ilhéu do Rei, que, embora situada a poucos minutos de Bissau, permanecia isolada e desconhecida pela maioria dos habitantes da capital. A exposição funcionou como um motor de atração, incentivando os cidadãos de Bissau a cruzarem o rio e a valorizarem o ilhéu, criando, pela primeira vez, um polo de interesse turístico e cultural naquele local.